sábado, 27 de fevereiro de 2016

GRANDE BARREIRA DE CORAL

"Imagine an animal so tiny that it is almost invisible to the naked eye, yet it forms colonies that are visible from space. From the tiny coral polyp has grown the largest living organism on earth - the Great Barrier Reef."


Acordámos na quarta-feira de manhã (17 de Fev) avisados de que deveríamos estar no Porto Marlin Jetty pelas 7h30. Apesar de ter acordado cedo, distraí-me com o tempo que passei na internet e no fim acabámos todos por nos atrasar. 

Pânico geral quando são 7h27 e estávamos à porta do hostel sem encontrar um táxi que nos levasse até ao porto. Pegámos nas malas e arrancámos a pé. Foram os 10 minutos mais críticos desta viagem toda. Eu não ia perder aquele barco por nada deste mundo e apesar dos trinta graus que já se faziam sentir e dos 40kg que arrastei pelo chão não parei enquanto não pus os pés no cais. 

No cais foi outro drama para descobrir qual era o nosso barco. Existiam dezenas e nenhum com o nome do nosso. Depois de uma pesquisa exaustiva por entre e-mails lá descobri que apesar de termos comprado uma noite a bordo do navio Reef Encounter, deveríamos usar o Reef Experience como transfer

Na verdade chegámos mais do que a tempo. 


A tripulação encarregou-se das nossas malas. Pelas caras de surpresa e de dor devemos ter sido os clientes mais carregados que por ali apareceram nos últimos tempos. Ainda assim, foram impecáveis do início ao fim. 

Subimos para o nível superior do Reef Experience (onde iam os passageiros que tal como nós iam passar uma ou mais noites a bordo do Reef Encounter). Serviram-nos o pequeno almoço: muita fruta e o que eles chamam de muffin de bacon e ovo que é basicamente um hambúrguer de bacon e ovo estrelado só que sem o hambúrguer. 
Eu, que sou uma nojentinha com comida, fui debicando o meu pacote de bolachas para não morrer à fome. 



Durante a viagem, um dos membros da tripulação perguntou ao Leonardo se este era um mergulhador certificado porque tinha comprado esse pacote, e isso foi motivo de gozo e risota até chegarmos ao nosso destino.



Ao fim de uma hora e meia, lá trocamos de barco em alto mar. Com uma ponte a ligar os dois barcos: descalços (por causa da no shoe policy), atravessávamos pelo deck superior enquanto a nossa bagagem era transferida no deck inferior. 

Fomos recebidos com um briefing inicial e em menos de meia hora estávamos a ser chamados para o nosso primeiro mergulho de snorkeling

Um pouco inexperientes no assunto, seguimos o rebanho em busca de um fato, barbatanas e óculos. 

Descemos, e já com os sinais de segurança aprendidos e memorizados saltámos para a água. 
O Pedro foi o primeiro a entrar e gritou logo "Isto é a coisa mais bonita que eu vi na minha vida", a curiosidade fez-me segui-lo logo a seguir. Um mergulho a pés juntos e quando abri os olhos: explosões de cor. Peixes, peixinhos algas e corais por todo o lado com todas as cores do arco-íris e mais algumas. 50 tons de turquesa, amarelo, vermelho... you name it.



Não tem bem descrição e garanto que as fotografias que vou pôr aqui não transmitem um milésimo da beleza do que eu pude ver. 

Sem medo de tubarões, raias, mantas ou alforrecas venenosas comecei a nadar. Se existe sítio no mundo onde eu penso que não me importava de ser comida para peixinhos é definitivamente aqui. Ao menos sei que estaria a alimentar um dos sítios mais bonitos do planeta. 

Já tinha feito snorkeling, caça submarina inclusive, mas senti-me um bocado enferrujada e ainda engoli alguns pirolitos porque o mar estava picado pelo vento e cheio de ondas. Não posso dizer que não valeram a pena.



Ao fim de 45 minutos, ouvimos o apito que significava que era tempo de regressar ao barco. Depois do primeiro mergulho estávamos só assoberbados. De tal forma que nos distraímos com o tempo que tínhamos para nos secar e preparar para o almoço, pois quando chegámos as mesas estavam todas preenchidas e por isso tivemos de nos separar.



Eu e a Madalena ficámos na mesa da terceira idade. Três velhinhos americanos, e uma acompanhante de luxo. Não, não estou a brincar. Eram dois casais em que um deles era um senhor de 70 anos e a acompanhante teria uns 30, um par de maminhas falsas e muito botox naquela fronha. 

Esforçámo-nos por manter conversa. Falou-se um pouco de Lisboa e das origens de cada um mas depois instalou-se um silêncio algo constrangedor. Na mesa ao lado o Pedro não se calava e falava da economia portuguesa com uma família australiana, numa mesa mais ao fundo, o Leonardo aprendia os básicos do mandarim.

(Não sei se posso dizer que almocei de facto. Era mexicano e tinha guacamoles e outros quês que eu não me atrevi a tocar. Para não ir para a água de estômago vazio comi umas 5 maçãs e acabei o meu pacote de bolachas).

A seguir ao almoço, o Nick, nosso instrutor de mergulho, deu-nos um briefing de basicamente como não nos matarmos enquanto fazemos mergulho com botija.

Eram três regras muito básicas, mas a chinesa que estava sentada no sofá à nossa frente, parecia estar a fazer um grande esforço para as memorizar:
1. Respirar;
2. Descomprimir os ouvidos;
3. Seguir o instrutor.


Nick, o nosso instrutor

Descobrimos toda uma panóplia de sinais para comunicar debaixo de água, dado que falar não era uma alternativa. Inclusive, como avisar que estávamos a ver o nemo, uma tartaruga, uma alforreca ou um tubarão. Sim, existiam tubarões e nós vimos vários até.

Além disso ficámos a saber que afinal o Leo não tinha sido o único a auto-proclamar-se como mergulhador certificado. Todos tínhamos comprado o pacote errado. O Nick foi impecável e disse que depois de mergulharmos logo trataríamos disso.

Fatos, pesos, barbatanas, óculos e botijas prontos e lá fomos nós para o fundo do mar. Nunca abaixo dos 12 metros de profundidade começámos a nossa primeira aventura. E foi I N C R Í V E L. No primeiro mergulho vimos logo uma tartaruga (que passou de imediato a ser o meu animal aquático preferido). Comia e andava de um lado para o outro. 




As minhas favoritas 😊

E andámos por lá, de coral em coral. Peixes de mil cores: grandes, pequenos, uns mais elegantes outros mais gordinhos. Se olhássemos para cima parecia mesmo que estávamos no oceanário, só que em águas abertas, e lamento informar, mas é muito, mas mesmo muito, mais bonito, vivo e colorido.


Esta foi a nossa primeira fotografia de família debaixo de água e há uma longa história de como não a comprámos e a conseguimos na mesma. Para verem fotografias com a qualidade que a Grande Barreira de Coral merece, sugiro que visitem a página do nosso instrutor Nick, aqui.

Ao fim de 35 minutos, apesar de a vontade ser nula, tivemos de regressar à superfície. Sem fôlego, não por falta de ar nas botijas, mas porque o que tínhamos visto era mesmo de cortar a respiração (e também porque subir a plataforma do barco com o peso da botija era incrivelmente difícil).

Ainda tínhamos algum tempo porque ia outro grupo mergulhar. Eu e a Madalena largámos o material o mais rápido que conseguimos e voltámos para dentro de água. Não queríamos sair de lá por nada deste mundo. E andámos por lá a fazer snorkeling enquanto nos deixaram. 

Pelas 17h já estávamos todos a bordo. Subimos os 4 para o deck superior e apanhámos um pouco de sol. Sempre besuntados em loção 50+. 



Tivemos um episódio engraçado quando o Pedro tentou exemplificar o engate que supostamente teria ocorrido no deck de baixo. A brincadeira custou-lhe os óculos de sol que voaram borda fora. O Nick sempre muito prestável ainda pôs a botija e tentou um resgate mas em vão. Rimos o resto da viagem toda à custa disto.

Às 18h era hora de jantar. Desta vez conseguimos uma mesa para os quatro mas o prato mais uma vez deixou-me de estômago vazio. Era porco com arroz. Valeu-me o arroz e a expectativa pela sobremesa que só viria depois do mergulho nortuno.

O mergulho noturno foi uma questão que nos deixou muito divididos. A confusão nos pacotes comprados acabou por nos custar mais 135AUD a cada um. E o Pedro já tinha lançado uns óculos Ray Ban borda fora.

O Nick que se juntou a nós para jantar quando já todos tínhamos terminado a refeição, disse que valia a pena. Se via outro tipo de peixes maiores, especialmente tubarões, mas percebi que nos doesse na carteira.

Contou-nos a história de vida dele. Como o plano de se mudar dois meses para Austrália acabou numa volta de carro pelo país que durou um ano, seguida de outro ano na Tailândia onde se tornou instrutor de mergulho certificado. Estava a bordo do Reef Encounter há 6 meses e tencionava demitir-se dali a uma semana. E fê-lo. Com planos de viajar mais um pouco pela Austrália, regressar à Tailândia durante o inverno (verão português; onde disse que o deveríamos visitar) e rumar para o México no final do ano. Inveja nível máximo do Nick e dos seus 24 anos de aventuras pelo mundo. 

Às 19h já tínhamos decidido que o mergulho noturno teria de ficar para uma próxima. Mais uma vez no deck superior, apreciámos o sol a pôr-se no horizonte onde se via terra.



Aguentei mais um pouco até que escurecesse pois queria ver o céu estrelado mas além de morta de fome, estava podre de sono devido ao dia preenchido.

Descemos para comer a sobremesa. Decepção das decepções: era só gelado. Mas acho que nunca comi tanto gelado na minha vida. Eu não ia para a cama com fome.



Deitei-me e não passaram 5 minutos até que adormecesse.

No dia seguinte às 6h00 batiam à nossa porta para o morning call, dali a meia hora deveríamos estar a entrar na água pois era a melhor altura para observar o recife. 


Nascer-do-sol no Pacífico (sem filtros)
Eu e a Madalena comemos cereais a seco e vestimos os nossos fatos-de-banho. Hoje não usaríamos fato. Primeiro porque a temperatura da água era de 30ºC, em segundo lugar o Nick no dia anterior tinha-nos dito que ele próprio tinha tirado o fato por estar imenso calor, não terem sido avistadas alforrecas e não ser realmente necessário e por último, queríamos trabalhar um pouco o nosso bronze.


O segundo pequeno-almoço
Botijas prontas e lá fomos nós. Não vou estar para aqui a relatar mergulhos, porque na realidade as palavras nunca lhes farão justiça. Nem mesmo as fotografias fazem pois as nossas GoPros não tinham lanterna e os corais super coloridos acabaram por ficar registados em tons esverdeados.



Mergulhámos às 6h30 e 8h30. Às 10h30 o barco rumou a outra zona da barreira, onde mergulhámos a última vez com botija às 11h. Às 13h deixaram-nos fazer snorkeling.

Ainda que não correspondam de todo à realidade que se vivia lá em baixo ficam algumas imagens:


É o Nemo!!!
Tartaruga a passar pelo recife


Este segundo dia, soube-nos a um evento de networking na Nova SBE. Não tenho a certeza se por sermos os mais jovens a bordo, ou os de origem mais incomum, toda a gente falou connosco.

Almoçámos caril (yay!) acompanhados pelo Consûl Australiano do Afeganistão. Conheci a Jen, canadiana e casada de fresco com um australiano, que se tinha mudado para a Austrália para continuar a estudar enfermagem e que me disse que dado o meu interesse de longa data por medicina, deveria considerar estudar na Austrália que enfrenta uma grande falta de médicos. Deu-me o seu nome, contacto e ainda o nome da faculdade onde um dia ainda posso vir a cometer uma loucura.




Ainda no barco, conhecemos o Michael, que era responsável pela contagem dos mergulhadores à partida e chegada da água. O Michael surpreendeu-nos quando disse que dali a duas semanas rumaria a Portugal para visitar Lisboa. Mais surpreendente ainda é que esta não seria a única visita do Michael a Portugal este ano. Em Agosto regressará para ir ao Festival Boom em Idanha-à-Nova.
No regresso recebemos uma folha com todos os locais a visitar na cidade e entregámos-lhe uma semelhante sobre Lisboa.

Foi mesmo giro, partilhar tantas histórias de vida e dar a conhecer as nossas. São estes momentos que nos permitem garantir que viajar é de facto das experiências mais enriquecedoras na vida.




Já no porto, em Cairns despedimo-nos da tripulação e rumámos tristemente de volta ao hostel que poderia ter saído de um filme sobre El Chapo.




Como em equipa que ganha não se mexe, reclamámos os nossos cupões na recepção do hostel e voltámos a jantar no The Pier Bar. Voltámos a visitar o casino, infelizmente (e sobre isto mais não digo).

Se no dia anterior estávamos certos que esta noite seria a loucura e que iríamos, o espirito neste dia não podia ser mais oposto. Estávamos mortos de cansaço, transpirados por causa do ar quente e desanimados pela ida ao casino. 




Fomos espreitar a discoteca/hostel (sim, o hostel em si era uma discoteca) em frente, o Gilligans. A entrada era extremamente barata mas nós simplesmente não estávamos no espírito.



Eu insatisfeita com o jantar, apesar deste ter sido até melhor que na primeira visita (incluiu um brownie de chocolate), comi uma fatia de pizza na pizzeria à saída da discoteca.


Voltámos para o hostel, tomei banho. E adormeci na que seria a minha última noite em solo australiano.

17 e 18 Fev 2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CAIRNS


The gateway to Queensland’s tropical north, Cairns is a stylish city, which is also renowned for its relaxed, tropical climate and laid back ambience.

Ainda que não tivesse de madrugar, acabei mais uma vez por acordar bastante cedo. Fiz o que faço sempre, li mensagens de casa, pus-me a par de todas as redes sociais e escrevi durante um bocado.

O nosso voo era só ao meio dia e meia por isso estávamos bastante descontraídos com o tempo. 

Não consegui inovar no pequeno almoço que voltei a tomar no McDonald's do outro lado da rua: café expresso e scone simples. 

Quando voltei, tratei de verificar que a minha mala não excedia os 30Kg que tinha comprado. Ia viajar na Tiger Air, uma companhia aérea low cost australiana, que, como qualquer outra companhia low cost, cobra cada serviço extra. 

Todos prontos, dirigimo-nos até à recepção para chamar um táxi. Desta vez não negociámos preço à partida e deixamos que o indiano de turbante na cabeça que nos veio buscar, ligasse o contador. O número aumentava ao ritmo do ponteiro dos segundos de um relógio e acabamos por pagar mais 10AUD do que na vinda, 60AUD ao todo.

O Aeroporto doméstico de Brisbane é de pequenas dimensões e por isso encontrámos os nossos balcões do check-in (vazios) em menos de 2 minutos. Fui a primeira a ser atendida. Mala na balança e o ecrã marcava exatamente 30,0Kg. A hospedeira sorriu e disse "You did well on that one.", eu retribuí e suspirei de alívio. 

A Madalena não teve a mesma sorte e teve de distribuir peso pela minha mala de mão e a de porão do Pedro e do Leo.

Seguimos para os seguranças. Procedimento habitual mas eu e o Pedro fomos parados numa revisão aleatória. 

Íamos passar a hora de almoço a bordo e sem refeição por isso tratámos de nos alimentar pelo nosso terminal. Eu joguei pelo seguro e pedi uma sanduíche no Subway

Quando terminámos dirigimo-nos todos para a porta de embarque e enfrentámos um filme de terror quando a hospedeira nos disse que só podíamos transportar duas malas connosco e que o limite de peso das mesmas era conjuntamente 7kg. Todos tínhamos mais de 15kg connosco, o Pedro era o recordista com 19kg. 


Fizemos uma ginástica gigante e com três casacos em cima, de sacos de biquínis nas mãos, livros e carteiras debaixo dos braços, conseguimos todos reduzir o nosso total para o máximo permitido que eram 12kg. Ainda assim não nos livrámos de pagar este excesso de bagagem. 46AUD a cada um. 

Os restantes passageiros na fila de espera sorriam com um ar de pena para nós. Mas mantivemo-nos firmes e não deixamos nada para trás além de uma pasta de dentes e um baralho de cartas. 


A bordo, uma família indiana pediu ao Pedro para trocar de lugar e ficar connosco para que eles também pudessem ficar juntos. 

Para sorte ou azar dele, a cadeira do indiano no lugar em frente ao dele estava avariada e reclinava-se demasiado, o que o deixava sem espaço para abrir sequer o tabuleiro. A comissária de bordo assim que reparou no que se sucedia mudou-o logo de lugar e mais uma vez o Pedro, que já todos percebemos que nasceu com o rabinho virado para a lua, foi parar a um lugar na saída de emergência com espaço extra para as pernas. 

A Madalena é que saiu a ganhar. Ficou com dois lugares para dormir só para ela e aproveitou toda a confusão de camisolas que o Pedro tinha tido de trazer na mão como almofada para dormir. 

Eu já sei que sorte em lugares de avião não é comigo. 

Ainda assim, neste voo não apostei mal. Fui sempre a espreitar à janela e consegui uma vista aérea para a barreira de coral excelente. 


Em menos de duas horas e meia de voo aterrámos em Cairns


Cairns é a cidade preferida para os visitantes da barreira de coral, com um pequeno porto marítimo de onde partem barcos diariamente para os vários recifes. O nosso barco partiría no dia seguinte.

No aeroporto arranjámos um shuttle super barato (10AUD cada) e comprámos logo a ida e o regresso para o hostel.


O hostel em que pernoitamos à chegada e na noite pós-barco foi o mais económico de todos (Corona Backpackers). 10€(=16AUD) por noite por pessoa, num quarto misto para 4 pessoas (em toda a viagem optamos por ficar nestes quartos de forma a assegurar sermos os únicos com acesso o que nos permitia deixar bagagem no quarto com mais alguma segurança). O preço reduzido era explicado pela falta de circulação de ar do edifício e pelo lance de 30 escadas pelo qual arrastamos as nossas malas para chegar ao quarto. Numa cidade a atingir máximas de 38 graus e onde a sensação térmica nem à noite descia muito abaixo desta fasquia, quase que nos víamos aflitos para respirar. 


Reparámos que íamos chegar durante o que eles chamavam 'Siesta Time', em que não estaria ninguém na recepção para nos fazer o check-in, por isso enviámos um e-mail e a chave foi-nos deixada num cofre para que pudéssemos orientar a nossa vida e bagagem antes que esse período pós-almoço terminasse. 


Depois de termos tudo tratado e serem 17h, já mortos de fome pelo almoço ligeiro e pela viagem longa, aproveitámos os talões de desconto que a recepcionista nos deu para uma refeição com bebida gratuita no The Pier Bar por apenas 10AUD. Ainda que desconfiados do preço tão apetecível, tivemos uma agradável surpresa quando demos com o estabelecimento localizado no Pier, super moderno e com vista para o mar. 

Melhor ainda foi mesmo o jantar: 200gr de bife com batata e salada. Carne um pouco passada demais para nós ocidentais mas depois de tantos hambúrgueres e outras porcarias soube-nos mesmo bem.


Os rapazes ainda tiveram direito a duas cervejas e compraram mais algumas porque era happy hour

Eu e a Madalena escaldadas do dia de praia em Byron Bay, fomos à procura de um supermercado para comprar alguns bens de primeira necessidade que nos faziam falta. Nomeadamente um que eu desconhecia até ao momento mas que com certeza fará parte da minha vida assiduamente nos próximos 6 meses, uns chocolates da marca Tim Tam que não é comercializada em Portugal ou na Europa (acho só mesmo por aqui na Oceânia) e que eu garanto que são um pedaço do céu na terra.



O calor que se fazia sentir estava mesmo a pedir um gelado para arrefecer e como no caminho para o supermercado tínhamos encontrado uma geladaria de gelados de nitrogénio fomos buscar os rapazes para os arrastar até lá. 



Primeiro tínhamos tentado um McFlurry/Sundae no McDonald's mas descobrimos que eles são um pouco fracos nas sobremesas e só vendem as tartes de maçã que também se vendem em Portugal e um gelado chamado ChocoTop que é basicamente um corneto de gelado de nata com cobertura de chocolate. 

Já percorrido o paredão todo, onde no final encontramos um complexo desportivo com um skate park e um campo de voleibol, regressamos para perto da piscina/praia artificial que eles chamam de lagoon

Podia ser uma gaivota, mas como estamos na Austrália é um morcego.




Apareceu um velho todo alucinado e drogado que nos deu um discurso todo enrolado sobre a rainha. Não dizia coisa com coisa e olhava-nos nos olhos de forma super intensa para minutos depois de partir a rir. Nós alinhamos no jogo de rir quando ele ria e ele eventualmente foi-se embora. 

Quando estávamos a voltar para o Hostel demos de caras com um Casino. Como ainda era cedo e estávamos descomprometidos no tempo decidimos tentar a nossa sorte. Um pouco inseguros por estarmos com roupa de praia e chinelo no dedo, atravessámos a porta principal. O Pedro e o Leonardo que iam um pouco mais à frente entraram sem problemas, eu e a Madalena que não tínhamos levado o passaporte ou o cartão de cidadão para jantar vimo-nos obrigadas a regressar ao hostel para nos podermos juntar a eles.

Com os cartões de cidadão não tivemos problema nenhum a entrar. Não existia dresscode. Todo o casino era um pouco desgovernado. Os empregados das mesas de jogo eram super lentos e ineficientes. Nada a ver com os que se vêm nos Casinos Estoril ou Lisboa. E além disso a aposta mínima na mesa da roleta era de 2,5AUD (=1,60€ - na mesa mesmo, não electrónica).

O Pedro conseguiu recuperar o dinheiro que tinha perdido no excesso da bagagem. 
Eu, a Madalena e o Leonardo decidimos não testar a nossa sorte.

Pensámos em ir espreitar a noite australiana mas decidimos que deixaríamos a grande saída para a nossa última noite de férias. 

Voltámos para o hostel onde estava um calor do inferno. A ventoinha no teto que só movimentava o ar quente era inútil. Eu fui tomar banho antes de me deitar mas ao fim de 10 minutos já estava a transpirar ainda que estivesse debaixo da ventoinha. 

Para completar o cenário, o nosso quarto parecia um daqueles que se vê nos documentários sobre tráfego de droga, com dois beliches um frigorífico e grades nas janelas. Parecia que estávamos os quatro à espera que passasse o Juan com o carregamento de cocaína que teríamos de transportar. 

Alucinações e brincadeiras à parte, fiquei acordada mesmo muito tempo sem sono e ia ouvindo os queixumes murmurados por entre o sono deles os três. 

A desesperar e a passar mesmo mal com o calor fui buscar a minha garrafa de água que estava fresca no frigorífico e agarrei-me a ela para a adormecer. A rezar para que no barco o calor não fosse tão insuportável.

J
16 Fev 2016

domingo, 21 de fevereiro de 2016

BYRON BAY #2

"You can sum up Australia’s easternmost town by saying it’s a melting pot of surf culture, alternative philosophies and hedonistic indulgence."

O segundo e último dia em Byron foi passado num registo muito descontraído. 

Acho que foi o dia em que acordámos mais tarde. Por acordámos, entenda-se acordaram porque eu sou sempre a primeira a acordar e normalmente a última a adormecer. 

Combinámos que o dia iria ser mais calmo e passado na praia. Saímos para tomar o pequeno almoço pelas 10h. Passamos por um supermercado para comprar protetor solar e água. 

Pode ser da minha cabeça mas tudo na Austrália é mais colorido. Os australianos são um povo tão feliz e simpático que não faria sentido outra coisa. Mesmo assim não consigo deixar de ficar surpreendida sempre que entro numa loja e encontro frases motivacionais ou murais/quadros super coloridos. Aqui até as garrafas de água são mais bonitas.


Despachados do pequeno-almoço que não foi além de uma sandes comprada na rua, demos uma volta para reconhecer o centro que tínhamos visitado na noite anterior. 


Nessa visita acabei por romper as minhas havaianas azuis. Confesso que não fiquei muito decepcionada pois o que não faltavam era lojas de surf e chinelos por onde escolher. Entrei na Volcom e comprei uns por 30AUD. E foi assim que fiquei a saber que o meu número de calçado australiano é o 9. 


Para acedermos à praia optamos, ainda que já tivéssemos feito o check out, pelo trilho a partir do portão do hostel. 


A caminhada até à praia pela vegetação não durou mais que 5 minutos.


Demos com o areal praticamente deserto, e algumas ondas com surfistas. A maré estava a encher. 

Estendidas as toalhas foi altura para o primeiro mergulho do ano e primeiro mergulho no Pacífico.
Ambos não ficaram aquém das expectativas. O mar estava à vontade a uma temperatura de 25ºC. Algumas ondas, rebentação e corrente mas nada que nos impedisse de nadar e aproveitar. 


De regresso à toalha, não passou muito tempo até que estivéssemos totalmente secos de novo. Encharcamo-nos em protetor solar mas mesmo assim o Sol australiano foi mais forte e pela hora de almoço já todos tínhamos e sentíamos cada um o seu escaldão. Surpreendentemente, penso que fui a que menos sofreu deste mal. 

Para evitar continuar a exposição ao sol, voltamos ao hostel para relaxar um bocado na sombra dos baloiços e para decidir o que faríamos a seguir. 





Concordámos em ir almoçar ao centro e depois visitar o farol. Para o almoço já tínhamos boas referências sobre o Byron Fresh Café e por isso não perdemos muito tempo a escolher. 

(da noite anterior)



Aconteceu-me a situação mais caricata neste restaurante. O menu apesar de diferente e original era de difícil compreensão. Os hambúrgueres e os "rolls" (o que quer que isso seja) estavam na mesma lista e eu que queria um hambúrguer só com ovo estrelado, vi uma opção no menu que dizia "bacon, ovo e alface" então pedi para retirarem o bacon e a alface. A senhora olhou para mim com um ar de "esta só pode estar maluca", e eu disse-lhe que era isso mesmo que queria. Ela ainda me advertiu "It's just cause you're paying the whole thing", e eu "Yeah, I know! No problem!". Assim que entregamos o menu o Leonardo comenta que a maioria dos hambúrgueres eram vegetarianos. Eu não tinha visto isso em lado nenhum e comecei a panicar um pouco porque não fazia ideia do que tinha pedido.

Pegámos no menu da mesa ao lado e fiquei a saber que tinha pedido um roll em vez de um hambúrguer e fiquei só à espera para ver o que de facto iria ser o meu almoço. 

Risada geral quando chega o meu prato e vem só o pão de hambúrguer com um ovo estrelado. Sem hambúrguer. Chorei um pouco por dentro e procurei conforto no meu pobre prato. 


O Leonardo e o Pedro comiam hambúrgueres fartos com batatas fritas mas o meu roll nem a isso tinha direito. 

Valeu-me o pão de alho como entrada e as batatas doces com aioli que comi no fim. 




Foram provavelmente os 14AUD mais mal gastos desta viagem mas deu para tirar a lição de que devo andar mais atenta ao que faço e ler tudo como deve ser. 

Ainda não saciada, foi a desculpa perfeita para voltar à creperie do dia anterior. Para fingir que ainda me preocupo com a linha e a dieta, dividi com o Pedro. Mais uma vez, o crepe não desapontou e eu sei que vou ter de voltar a Byron para comer aquele crepe mais uma vez.


Fartos de comer, voltámos ao hostel para ir buscar o carro e dar um pulinho ao farol. Por esta altura já estava a ficar um pouco stressada de tempo. Eram quase 16h quando chegamos ao farol e tínhamos de estar na Gold Coast às 17h/17h30 para entregar o carro e apanhar o autocarro. Eles fizeram questão de subir e eu acompanhei-os. 

Chegados ao Farol, pagamos 8AUD de parque de estacionamento para ficar por lá nem meia hora. Mas a vista e o sítio em si acabaram por compensar ainda que tivéssemos falhado a visita do dia ao interior do farol. 




Descobrimos que nos encontrávamos na ponta mais oriental da Austrália (a Nova Zelândia fica ainda mais para Oeste). Ou seja, um equivalente ao Cabo da Roca mas orientado para o outro lado e com vista para o oceano Pacífico. 


Finda a visita, pé no acelerador para a Gold Coast. Inicialmente tínhamos decidido que a condução ia ser repartida mas como eu até lhe ganhei o jeito e já estávamos todos minimamente confiantes na minha condução, fui eu mais uma vez ao volante. 

O cansaço da praia e do dia anterior estavam a querer levar a melhor de mim. Tive mesmo de me concentrar para não adormecer. No banco de trás ainda houve algumas sestas da Madalena e do Leo. O Pedro que também estava a acusar o cansaço fez um esforço para não me abandonar e certificar-se que eu não adormecia. 

Chegámos mesmo em cima da hora. Ainda tivemos de parar para pôr gasolina (se calhar era gasóleo, não faço a mínima ideia mas era o combustível número 91). Nem tentámos limpar o carro, usámos o limpa para-brisas propositadamente pela primeira vez (com o volante ao contrário, os manípulos do pisca e do limpa para-brisas também são invertidos).

Às 17h45m em ponto chegou o nosso autocarro. Optámos pela greyhound por ter a partida mais tardia para Brisbane, nem fizemos questão de comprar preços. 

O autocarro era excelente e bateu qualquer uma das duas viagens feitas pela Emirates. Bancos almofadados, super confortáveis e espaçosos. Wi-Fi gratuito e a funcionar a bordo. Ar condicionado e uma condução muito tranquila. Ainda dormitei um pouco por isso nem tenho noção do tempo que demoramos mas diria que não ultrapassou uma hora e meia.

De volta a Brisbane, apanhámos um táxi para o mesmo hotel em que tínhamos ficado hospedados na primeira noite e onde as nossas malas nos aguardavam há 5 dias. Felizes da vida por termos uma casa de banho privativa (sem o risco de accionar o alarme de incêndio) e lençóis lavados nas nossas camas king-size. 


O Leo e o Pedro foram uns queridos e foram buscar McDonald's ao outro lado da rua para nos trazerem o jantar à cama. 

Eu, ainda cansada de toda a condução do dia, ignorei a organização das malas para o voo do dia seguinte e adormeci que nem uma pedra.

J
15 Fev 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FAMÍLIA DA OCEÂNIA


Estou de pé na fila do voo para Sydney. A menos de 36 horas de casa (a dos próximos 5 meses pelo menos). 

Acho que é agora que posso dizer que estou a entrar em 'Erasmus'. Acabou-se a vida de hotel e de festa com a família. Sim. Agora a Madalena, o Pedro e o Leo são a minha família deste lado do mundo.

Espero, no entanto, sair daqui com uma família mais alargada. Não, não vim com intenções de me casar por estes lados, mas quem sabe... Nunca digamos nunca. No final, há-de me custar abandona-la, tanto quanto me custou deixar os que me foram levar ao aeroporto ou se despediram de mim nas semanas anteriores.

Mas, voltando ao presente e ignorando futuros distantes, vou, para já, agradecer estes dias incríveis  aos membros da família dos quais me vou despedir muito em breve. 

À Madalena que embarcou comigo nesta loucura desde o primeiro dia em que ficámos a saber que ambicionávamos vir para o mesmo canto do mundo, que planeou comigo toda esta aventura inicial, e que desde que chegamos já esperou meia hora por mim quando no primeiro dia o jet lag levou a melhor, me emprestou o shampoo e amaciador dela favoritos mesmo sabendo que não os vai encontrar cá, me espalhou protetor solar nos escaldões e me emprestou dinheiro porque eu deixei o câmbio para a última da hora. Tenho a certeza que esta foi a primeira mas não a última vez que nos vemos por terras australianas, pois eu tenciono voltar e ela tem intenções de visitar-me também. Temos um pacto de que não ficaremos mais de 2 meses sem nos ver, e eu tenciono cumprir a minha parte deste acordo. 

Ao Pedro, que ocupou o meu lugar em Sydney e que me/nos incentivou sempre a fazer as coisas mais estúpidas desta viagem. Nomeadamente alugar um Suzuki cor-de-rosa, entre outras demasiado ridículas e vergonhosas para eu as registar aqui. Sempre com toda a sua calma e a sua postura de quem se acha um Deus na Terra, foi sempre o mais relaxado e a cabeça fria do grupo. Também é de referir que acartou sempre com a minha mala que por esta altura já ultrapassa os limites de peso de qualquer companhia aérea e se prontificou sempre a fazer os pedidos mais chatos e a falar com estranhos. Fez os comentários mais indecentes mas também os mais engraçados. E ele já disse, eu não quis admitir, mas confesso aqui, que esta viagem não tinha sido a mesma sem ele.

Finalmente ao Leonardo, que é tão perdido e aluado que é capaz de estar a ler este texto e achar que está a ler um jornal porque se esqueceu em que website entrou. O Pedro diz que se o Leonardo tentasse ficar ainda mais calmo o coração dele parava. É o Leo, alcunha que agora lhe damos, que vem comigo para a Nova Zelândia, e também é capaz de ser da nossa família o que eu menos conhecia. Do que fiquei conhecer é uma pessoa impecável e super prestável ainda que super distraída. Do que não fiquei a conhecer, acho que 5 meses serão suficientes para descobrir. 


Quem me conhece sabe que a Nova Zelândia não era a minha opção número um. Veio logo a seguir à Austrália porque continuava a ser do outro lado do mundo, era segura e publicitada como muito bonita e simultaneamente radical. Ironicamente vou ter a oportunidade de espreitar Sydney, a cidade do meu 'Erasmus' de sonho antes de chegar a Dunedin, a cidade do que vai ser com certeza o melhor 'Erasmus' que eu poderia pedir.

Não deixa de ser agridoce. O primeiro pensamento que me ocorreu é que a comparação é inimiga da felicidade. (E que mais vale não pensar no que poderia ser ou ter sido.) Mas bolas(!), se é inimiga também é amiga com certeza, porque enquanto eu ando para aqui a ver cangurus, a abraçar coalas, a ver cascatas e a a mergulhar numa das 7 maravilhas naturais do mundo, os meus amigos e a minha família dormem (por causa do fuso horário), ou preparam mais um dia normal de faculdade, escola ou trabalho... Quem sou eu para me queixar ou sentir triste.

É essa a postura que pretendo assumir a partir deste momento. 

A caminho desta nova casa, a cabeça vai a mil. Tenho tudo tratado mas parece que falta tanto por tratar. Inseguranças mil, e penso que agora me sinto mais nervosa do que triste. 
É uma estupidez irracional. 

Sei que tudo vai correr bem e que Dunedin me espera de braços abertos. Está na altura de relaxar e dormitar um pouco até Sydney para descontrair um pouco. 

Quando der notícias já estarei na terra dos Kiwis. 

Até lá!

J
19 Fev 2016

P.S. Ainda tenho muito que contar sobre Byron Bay, Cairns e claro, a Grande Barreira de Coral mas ainda não consegui organizar as fotografias para pôr aqui. Vou tentar fazê-lo durante a Orientation Week mas sem promessas.