segunda-feira, 21 de março de 2016

Fim de semana #2 - Mt. Roy, Wanaka e Queenstown

O meu primeiro fim-de-semana de aventura começou cedo. Na noite anterior (depois das compras no supermercado) estava exausta para preparar a mochila e por isso optei por madrugar na sexta-feira, o nosso dia de partida.

Às 7h, a Molly, a Orla e a Olivia saíram com destino ao aeroporto para irem buscar o carro que tínhamos alugado. O plano era saírmos do nosso complexo por volta das 8h. Acordei demasiado cedo, pois a essa hora já tinha tudo preparado e estava no chão do meu quarto a fazer tempo quando recebi uma mensagem.

Vinha direta de Barcelona e era a minha madrinha de praxe, a Tamara, que tinha 15 minutos para submeter um assignment no moodle da Nova SBE mas não estava a conseguir. Foi preciso o assignment chegar à Nova Zelândia para dar entrada nos servidores do moodle. As aventuras começaram cedo nessa manhã.

Uns 5 minutos depois recebi uma mensagem da Molly "Just about back". Eu e a Evie começámos a carregar as nossas mochilas e sacos-cama para a entrada do complexo quando chega um Holden Barina (marca que eu desconhecia até ao momento) com as nossas três companheiras de viagem.


O carrinho de caixa de mudaças manual e três portas que tínhamos alugado sofreu um alto(ooo) upgrade. Segundo a Molly, o recepcionista achou-lhes muita piada e deu-lhes este brinquedo para o nosso fim-de-semana, com caixa automática e ligação USB/Bluetooth aos nossos telemóveis (claro que o meu entusiasmo foi para os gadgets e acessórios do carro, de cavalos e motor percebo pouco ou nada).

Encaixámos tudo na mala (gigante) do carro e em três tempos fizémo-nos à estrada. Destino: Wanaka.

WANAKA

"With stunning alpine surrounds, Wanaka is a magnet for those wanting a truly authentic outdoor experience."


O tempo de viagem passou num instante connosco a testar as colunas e os sistemas eletrónicos do carro. Ao meio dia estávamos a almoçar à margem do lago Wanaka como tínhamos planeado.
Os nossos timings estavam no ponto, pois o trilho a que nos tínhamos proposto tinha uma duração estimada de 5 a 9 horas e partir muito tempo depois da hora de almoço podia comprometer a nossa subida até ao pico.

Acabadas de almoçar, abastecemo-nos de água nas casas de banho públicas pelo caminho e seguimos até à base do nosso trilho, que ficava nem a 10 minutos do sítio onde tínhamos almoçado.

MOUNT ROY


Chegadas à base, olhei para o topo. Estremeci por dentro porque tinha a certeza que nunca chegaria lá a cima. Além do stress que foi perceber a distância que havia para percorrer tinha a pressão do facto de todas as minhas amigas que me acompanhavam serem bastante experientes nesta espécie de aventuras outdoor; eu nunca seria capaz de acompanhar o passo delas.

A Evie, que é uma espécie de mãe/irmã mais velha para mim e que me pergunta de 5 em 5 minutos se está tudo bem, tentou animar-me, disse que o passo dela também era super lento e até preferia ficar para trás para não atrasar a Orla, a Molly e a Olivia.


Às 13h10 fizemo-nos ao trilho. Começou logo com uma subida que na primeira curva me deixou a arfar. Eu ri-me por dentro para não chorar porque era só a primeira subida.

A Molly e a Olivia tomaram de imediato a dianteira, e a Orla depois de 5 minutos de conversa comigo e com a Evie juntou-se também a elas. Na nossa primeira paragem para fotografias ainda estávamos todas juntas, mas a partir daí dividimo-nos e eu e a Evie seguimos mais atrás.

Depois de tirar esta fotografia pensei: "bem, se não chegar ao fim também não é o fim do mundo, já tenho uma fotografia incrível"
O calor não foi necessariamente um incentivo durante a subida e a água na minha garrafa estava a desaparecer a um ritmo assustador.

A meteorologia neozelandesa é a definição de bipolaridade e imprevisibilidade. Comprei um casaco impermeável porque a previsão era chuva durante a subida mas o tempo esteve sempre entre sol e céu incoberto.

O trilho também era super inconstante, e de vez em quando tínhamos uma descida enorme para depois termos uma subida ainda mais inclinada.


A verdade é que à medida que íamos subindo a vista sobre o lago se ia tornando cada vez mais incrível. E o tempo estava cada vez com pior aspecto...


Houve uma altura em que eu e a Evia olhámos uma para outra e a exaustão era tal que ponderámos ficar por ali. Já tínhamos tido uma vista incrível, e olhávamos para cima sem fazer ideia de onde era o pico, se faltaria uma hora e meia ou mais três sempre a subir.


Depois desse pequeno devaneio a minha cabeça voltou ao lugar. Nunca fui de desistir em nada, sou uma péssima perdedora, e já estava a subir há tanto tempo, para morrer na praia? Nunca. Decidi que ia subir e ia mesmo, nem que demorasse mais meio dia e tivesse de parar a cada curva, eu ia ver o lago Wanaka de cima.

O nosso carro lá em baixo ia desaparecendo de vista
E os cumes cada vez mais perto

Passados uns 15 minutos cruzámo-nos com uma australiana no seu caminho de regresso à base que nos perguntou se estávamos com o outro grupo de três raparigas. Respondemos afirmativamente e perguntámos se ela achava que ainda faltava muito para o topo. Ela respondeu que em meia hora estavamos lá e finalmente apontou-nos para o pico. Agora já sabíamos com o que podíamos contar e gerir as nossas expetativas. Seguimos em frente, agora com um passo muito mais firme e determinado.

E ao fim de 2h45m, chegámos...


Foi um sentimento de realização incrível poder admirar aquela vista e saber que tinha chegado até lá pelo meu próprio pé.


Não tinha sentido fome o caminho todo, e na realidade acho que nem tinha fome quando cheguei, mas o momento estava mesmo a pedir chocolate para acompanhar o sabor da vitória.

Rimo-nos imenso com esta fotografia
Em 2015 decidi parar de comer chocolate durante um ano. Em 2016 tive um início lento no regresso ao consumo. Na austrália comi alguns muffins, crepes e quês, mas chocolate em tablete era algo que eu não comia há um ano e muito. Já nem me lembrava bem o prazer que dava, e deve ser por isso que esta tablete soube-me a uma das melhores de sempre. Cadburry de chocolate de leite como não podia deixar de ser (a fábrica da Cadburry fica em Dunedin). Desapareceu em tempo record.

Registei o momento com a Polaroid que fiz questão de carregar até ao topo

Depois de meia hora no pico e tiradas todas as fotografias era tempo de regressar.

No caminho para baixo vim eu à frente (porque para descidas estava eu pronta). Ainda assim levámos 1h30 a descer. Pelo caminho fui apreciando de novo a paisagem e observando a fauna local, que são basicamente rebanhos de ovelhas.


Eram 17h40 quando entrámos na estrada de volta para Wanaka. Era tempo de fazer os últimos abastecimentos e de celebrar a nossa conquista. 

Estacionámos no parque de estacionamento do New World (maior cadeia de supermercados neozelandesa), descálçamo-nos e como verdadeiras kiwi entrámos no supermercado descalças. Cá é totalmente aceitável e até uma atitude bastante típica. Os meus pés agradeceram.

A Molly e a Orla são as mais divertidas e malucas e exigiram um cocktail pós-subida para celebrar. Eu acompanhei mas não bebi nada. Estava morta de cansaço e sabia que o álcool ia entrar de forma agressiva no meu sistema, além disso precisavamos de alguém para conduzir até ao parque de campismo.


Findos os cocktails, peguei no carro. Não perdi o treino da Austrália e a minha condução até foi bastante elogiada. O caminho era cheio de curvas super apertadas em descidas super íngremes e por isso tentei ir sempre a cumprir o limite de velocidade.

No caminho parámos para ver o pôr-do-sol que estava inacreditável (a fotografia não faz justiça nenhuma)
O GPS (supostamente) estava programado para nos conduzir até ao nosso campsite onde pernoitaríamos com os membros do tramping club, mas, ao fim de uma hora de caminho, acabámos numa bomba de gasolina em Queenstown.

A Molly e a Orla entraram para pedir indicações. Afinal ainda estávamos a 60Km de distância de onde deveríamos estar, ou seja, mais uma hora de viagem. Estava a morrer de cansaço mas preferi não confiar o volante a mais ninguém e seguimos caminho.

O caminho era super escuro, as indicações eram poucas e haviam animais (mortos e vivos) na estrada por todo o lado. Pelo que elas me explicaram, a espécie mais comumente morta nas estradas daqui, os possums, não são uma espécie local e por isso os kiwis não se importam (e até agradecem) que os matem. Eu estive muito perto de acertar em dois ou três mas consegui sempre evitá-los. A quantidade das vítimas à beira da estrada era mesmo impressionante.

Ao fim de uma hora a conduzir demos com uma estrada de gravilha. Estávamos definitivamente no sítio errado. Eu estava bastante calma a fazer a inversão de marcha, mas elas nos bancos de trás estavam em pânico, o que não me estava a deixar nada segura. Meia dúzia de telefonemas depois entrámos na estrada certa.

Cerca de vinte minutos depois, mais um momento de pânico. Numa biforcação decidimos entrar pelo caminho que dava para uma propriedade privada pois achávamos que o parque de campismo era efetivamente uma propriedade privada. Errado. Era mesmo a propriedade privada de alguém, com celeiros e tractores e habitação própria.

Mais uma vez eu continuava a ser a mais calma ao volante. O facto de estar a viajar com duas americanas onde qualquer quinta privada é sinónimo de armas e tiros contra desconhecidos, estava a causar o caos no banco de trás. Decidi só fazer inversão de marcha mais uma vez e regressar à estrada.

Parámos na biforcação enquanto a Olivia tentava falar com alguém do tramping club. Para ajudar à festa o nosso carro estava prestes a entrar na reserva de combustível. Eu respirei fundo e espreitei o céu pela janela. A escuridão em terra proporcionou-nos uma vista incrível. Não sei se tão boa ou melhor que a que tinha tido em Byron Bay umas semanas antes. 

De regresso à realidade, seguimos pela outra estrada, pois afinal estávamos na biforcação certa e em menos de 10 minutos chegámos. Nesses 10 minutos começou também a chover torrencialmente. Montar a tenda à chuva foi outra aventura.

Eu como era a mais inexperiente, fiz pouco mais que cravar as estacas no chão e deixei as especialistas no assunto tratar do resto.

Eram 23h, talvez meia noite, quando entrámos todas dentro da nossa tenda para "jantar". O meu jantar foi arroz branco e frio, mas soube-me a pato. Não comia desde a tablete de chocolate e só queria dormir.

Antes de terminarmos ouvimos vozes conhecidas, o Garrett e o Sam tinham chegado com o tramping club e montaram a tenda deles ao lado da nossa.

Tomei banho em toalhitas, vesti o pijama e enfiei-me no saco-cama. Estava a ferver, não sei se da adrenalina ou entusiasmo, mas o calor passou rápido. A meio da noite, acordei cheia de frio. Tinha a sweatshirt a fazer de almofada e preferi manter esse conforto em vez de a vestir... Claramente não foi uma escolha muito inteligente pois dormi muito pouco ou nada durante o resto da noite.

GLENORCHY


Como tínhamos montado o nosso mini acampamento na escuridão total, a manhã seguinte foi tempo para apreciar aquilo que nos rodeava.


Mas não por muito tempo. Às 8h30, eu, a Evie, a Molly e a Orla, fizemo-nos à estrada pois a Orla tinha uma entrevista via skype ao meio dia e queria certificar-se que encontrava um café sossegado. A Olivia acompanhou o pessoal do tramping club para mais um trilho.


Não se percebe, mas é uma cascata

QUEENSTOWN

"With a smorgasbord of outdoor activities, Queenstown is the home of the ultimate adventure bucket list."


À parte da entrevista da Orla, não tínhamos o dia planeado. Chegámos e começámos a veranear. A caminho do centro demos de caras com uma feira de artesanato.





Apesar de termos comprado imensa comida, viemos para a cidade com o intuito de tomar um pequeno almoço mais composto. Procurámos um café e acabámos num que se pode encontrar em várias partes da Nova Zelândia, o Patagonia, que além de servir café é também uma chocolateria.



À porta prometia wi-fi gratuito, mas a internet era péssima, e eu que estava a ficar sem dados no telemóvel estava a começar a panicar. Além disso, não serviria para a entrevista da Orla.

Acabámos o pequeno-almoço super cedo; ainda nem eram 10h. A maioria das lojas ainda se encontrava fechada e por isso continuámos só a passear pelas ruas e a procurar um sítio mais calmo para a entrevista.



Assim que as lojas começaram a abrir começámos a entrar para espreitar. A Orla até comprou roupa para a entrevista por isso ainda demorámos algum tempo.


Dado ser a capital mundial dos desportos radicais, em Queenstown não faltam as lojas de montanhismo mais comum (Kathmandu, Macpac e The North Face), mas existem ainda lojas de marca de surf (como a Billabong, Rip Curl, etc...) e outras lojas de material de desporto (Lululemon, Adidas, entre outras tantas). Passeámo-nos por todas até serem 11h. Nessa altura encaminhámo-nos para um pequeno centro comercial onde havia um cyber cafe.

Com meia hora de antecedência estava tudo pronto e arranjado para a entrevista, e eu que tinha ficado sem dados móveis aproveitei para ir à minha operadora (Spark) mudar de tarifário.

Se em Cascais/Lisboa, meu "habitat natural", sou totalmente dependente do meu telemóvel e dos meus 3GB, estava fora de questão para mim, ainda por cima com a agravante de ter de estar sempre ligada ao outro lado do mundo, deixar de ter pelo menos essa quantidade de dados móveis disponível (e até a esse dia só tinha 500MB).

O rapaz que me atendeu ficou fascinado comigo. Não parava de elogiar o meu passaporte, de fazer imensas perguntas sobre Portugal e questionar a minha escolha de vir para a Nova Zelândia. Deu-me a password da internet da loja para não termos de pagar wi-fi no cyber cafe, e no final, depois de eu ter escolhido o meu tarifário (que incluía 2,5GB de dados, chamadas e mensagens ilimitadas para a NZ e AUS e Spotify Premium), ligou para a Molly (o meu telemóvel estava sem rede por causa da mudança) a avisar que dado o tempo que seria necessário até ter serviço novamente, eu teria 2GB extra todos os meses como oferta. 4,5GB todos os meses? Ganhei o dia.

Nisto, a Orla terminou a sua entrevista que lhe tinha corrido super bem e era hora de almoço.

Elas as três decidiram comer tacos num mexicano, como eu sou mais esquisitinha optei por ir ao Slice Pizza.


Continuávamos à deriva sem planos, por isso regressámos ao relvado central para ouvir o concerto ao vivo que por lá acontecia e espreitar com mais atenção a feira de artesanato. 

Pelo caminho parámos no Patagonia para comer um gelado.




Já tínhamos dado várias voltas pela cidade e ainda tínhamos algum tempo até ser hora de jantar por isso decidimos fazer-nos à estrada que nos levava de volta ao acampamento e parar pelo caminho para apreciar o que achássemos que valeria a pena.

A primeira paragem foi para mergulhar no lago Wakatipu.



Elas além de não se terem esquecido do fato de banho (erro de principiante meu), entusiasmaram-se um pouco a tirar fotografias.


Após uma viagem mais longa que o costume chegámos ao nosso acampamento. A maioria do tramping club também se encontrava no local e por isso aproveitámos para explorar as redondezas que incluíam o rio de Glenorchy.



Fotografia preferida do dia

Da esquerda para a direita: Orla, Evie, eu e a Molly
Ainda nos divertimos um pouco


Depois destas brincadeiras todas começou a chover e voltámos para jantar nas nossas tendas.
Convivemos mais um pouco com o pessoal do tramping club mas adormecemos cedo.

No dia seguinte, foi altura de desmontar tendas, arrumar tudo e voltar para Queenstown. A Orla e a Molly tinham o seu salto de bungy jump às 12h50, por isso desta vez fizemos tudo com mais tempo.

Parámos para tirar fotografias:




E seguimos de novo para o centro da cidade. 

Desta vez não havia feira de artesanato. Decidimos tomar um pequeno-almoço grande porque só voltaríamos a comer após o salto. Parámos num café mais fancy chamado Ivy and Lola's Kitchen + Bar e comemos que nem rainhas.

Quando terminámos ainda faltavam 50 minutos, como estava sol, sentámo-nos no relvado a absorver alguma vitamina D.


Quando chegou a hora encaminhámo-nos para a recepção do bungy. A Evie e a Olivia não quiseram vir. A Evie tinha comprado a subida de teleférico e o luge, e a Olivia quis ficar a visitar a cidade.



Eu paguei 15NZD para ir com a Orla e a Molly e vê-las saltar (ainda não foi desta que saltei, mas espero poder fazê-lo em breve, pois depois de as ver o que não me falta é vontade).


Às 13h20 chegou o autocarro para nos levar. Fizemos uma viagem de 40 minutos até ao local do salto, mas pelo caminho apreciámos paisagens incríveis.








A Orla e a Molly foram logo das primeiras a saltar. Eu fiquei de fora a morrer de inveja.





Depois dos saltos, fizemos a viagem de volta. O tempo esteve sempre impecável, contrariamente aos dois dias anteriores.


Para celebrar, encontrámo-nos com a Evie e a Olivia, e terminámos a nossa estadia em Queenstown com uma visita à hamburgueria mais famosa da cidade, FergBurger. 





Mais uma vez, e como é norma por estes lados, o hamburguer era enorme e delicioso.

Fizemos a nossa última caminhada perto do lago até ao nosso carro, e fizemos o caminho de volta para Dunedin. Eu sonhava acordada com um duche quente e a minha cama com lençóis lavados.


4 a 6 de Mar

segunda-feira, 14 de março de 2016

1ª Semana de Aulas


A minha primeira semana de aulas começou devagar, e prevejo que a história se repita em todas as minhas semanas de aulas por cá, uma vez que a minha primeira aula às segundas-feiras só começa às 16h.

É bom e é mau. Falhei a promessa que tinha feito a mim mesma de que não ia ficar na ronha. Passei uma boa metade do meu dia na cama. Produtividade zero.

Vi e revi o mapa do campus da universidade mil vezes para ter a certeza que não me perdia. 
As nossas aulas duram sempre 50 minutos e em seguida temos 10 minutos para chegar à sala  de aula seguinte.
(Este nem é o mapa completo)


Na Nova em que as salas são todas no mesmo edificío e, quando muito, o maior desafio será ir do piso -1 ao 2, 10 minutos chegam e sobram, até porque a pontualidade portuguesa não exige muitas pressas, mas aqui os edifícios do campus estão espalhados por toda a cidade, e as minhas aulas nem sempre se limitam só a uma zona.

Há placas espalhadas por toda a cidade, porque existem departamentos/faculdades/salas de aula um pouco por todo o lado
A minha primeira aula foi no Richardson Building (RMOOT), número 59 no mapa. 

Fácil, mesmo ao lado da biblioteca central e do link que é o edifício principal. Pensei que 10 minutos eram mais que suficientes desde casa (que fica na Leith Street mesmo ao lado do número 81 que é o escritório dos Uni Flats) até lá. 

Início da Leith, para quem vem do lado da Universidade

Mentira. E como à boa maneira portuguesa, eu nem devo ter saído de facto 10 minutos antes, cheguei à entrada do edifício eram 15h57. 

Estava tudo controlado até ao momento em que descobri que a sala de aula ficava na ala de salas de direito no décimo andar. Com os 4 elevadores a abarrotar, olhei para o Leo, que está a fazer a cadeira comigo, e disse que ia de escadas. Ele disse que eu era maluca mas juntou-se à minha loucura. No sexto lance de escadas eu já estava decidida que seria um dia para faltar ao ginásio.

Chegámos, todos esbaforidos às 16h03. Auditório, ou melhor, sala de audiências cheia. Fizemos o nosso walk of shame até à fila da frente e ouvimos a nossa primeira aula de Environmental Economics com vista privilegiada para o quadro.

Estes primeiros 50 minutos de orientações iniciais passaram a correr e estava terminada a minha primeira aula do dia. Para o Leo o dia de aulas estava terminado mas eu ainda tinha de descer os 10 pisos e chegar ao edifício de artes (52) para ter a minha primeira aula de Quantitative Analysis for Business (o meu waiver para Estatística na Nova).

Fui de escadas novamente para evitar o trânsito dos elevadores. Erro crasso. Cheguei ao BURN1 e o auditório estava à pinha. Mais uma vez só consegui lugar na fila da frente. Basicamente mantive o registo nerd e empenhado, ainda que nunca pontual, da aula anterior.

No final, todos os alunos tinham recebido um clicker (espécie de comando para responder a questões de escolha múltipla durante as aulas teóricas, ou por outras palavras, uma forma de controlar presenças) e uma pilha. 

Como tudo me estava a correr bem nesse dia, o meu clicker não funcionava porque a pilha que me calhou já tinha dado tudo o que tinha para dar, o que me obrigou a mais uma ida ao supermercado no dia seguinte.

Resumindo: o primeiro dia foi um misto de procrastinação matinal e caos vespertino.

O resto da semana passou-se. Um pouco lentamente (demasiado até). O facto de ter um horário cheio de furos e com pouca carga horária (13 horas semanais) não ajudou muito (na Nova cheguei a ter 26). Além disso não houve tutorials (o equivalente às aulas práticas na Nova) durante a primeira semana, o que a tornou ainda mais monótona e desocupada.


Ninguém do meu complexo está a fazer cadeiras de economia. A grande maioria estuda geologia, biologia, zoologia ou ciências do desporto e está a fazer cadeiras optativas gerais (há com cada uma mais maluca que a outra) consequentemente são poucas as aulas em que vejo caras familiares, menos ainda, são as pessoas que têm um horário parecido com o meu. Por isso, nas horas vagas vinha para casa e se fossem horas decentes em Portugal passava-as no Skype ou no WhatsApp.

Na terça-feira tive o meu primeiro e único teste diagnóstico para a cadeira de estatística. Não estava nervosa mas também não me queria sair mal. Acabei por ter um desempenho "excepcional" segundo a instrutora que nos dava o feedback no final do teste. Errei 4 questões em 30, e não foi por não saber matemática, mas por não saber certos termos em inglês. Perguntou-me se o meu major era em Finanças e/ou Contabilidade Financeira (ri-me e chorei mentalmente por ter chumbado a Finanças no último semestre), disse-lhe que estudava economia e depois de 5 segundos de pura admiração a olhar para mim, ela sorriu e disse para eu não me preocupar porque não deveria ter grandes problemas com a cadeira.
Depois de um discurso em que o lecturer (professor regente) disse que era hábito cerca de 25% dos alunos inscritos chumbarem à cadeira, senti-me ligeiramente mais segura. O que é facto é que matemática não é um dos fortes dos meus colegas kiwis.

Também foi o primeiro dia em que tive aulas no edifício da faculdade de economia (27), pois apesar de estar a fazer maioritariamente cadeiras de "commerce", as salas de aula são muito mais distribuídas pela sua capacidade do que propriamente pela sua localização por departamento.


Sei que habitualmente nos referimos à pontualidade como uma característica inglesa, mas se há característica que os kiwis herdaram dos seus colonizadores foi a extrema pontualidade. Desde os dois episódios consecutivos em que me sentei na fila da frente passei a chegar à sala 5/10 minutos antes do início da aula (sempre que a alocação de salas me permitiu). Penso que eles também adotam esta postura pelo facto dos professores começarem e acabarem as aulas rigorosamente no horário estipulado.

Criei uma aversão tão grande à fila da frente que na minha primeira aula de Marketing Management consegui um lugar isolado nas filas de trás. Pareceu-me uma óptima ideia até ao momento em que o professor nos sugeriu que cumprimentássemos o colega sentado ao nosso lado e eu encontrei apenas duas cadeiras vazias...


Na quarta-feira, durante um dos meus furos enormes e em conversa com amigas do meu complexo decidimos que o nosso fim-de-semana pós-primeira semana de aulas seria passado em Queenstown e as preparações para a viagem acabaram por tornar a semana mais entusiasmante.

Além disso, fui com o Leo experimentar os gelados mais famosos de Dunedin, vendidos num mini-mercado de esquina chamado Rob Roy Dairy. A verdade é que além de óptimos e saborosos, os gelados são vendidos a preço de uva mijona, 2,20NZD(=1,45€) por um cone com duas bolas enormes de gelado.
Existiam muitos sabores por onde escolher e eu optei pelo clássico Cookies and Cream
Na quinta-feira, com apenas uma aula a ter início às 16h, e em jeito de preparação para o fim-de-semana de aventura, fui ao centro adquirir material de montanhismo durante a tarde e consequentemente gastei rios de dinheiro pois, pelo facto da Nova Zelândia ser conhecida pelas atividades outdoor, o sector de venda de material para tais atividades é altamente lucrativo. Quase 400NZD depois estava equipada com um par de botas de montanha, um casaco impermiável e mais uma série de acessórios e jiga-jogas que a senhora da loja disse que eu não deveria prescindir.

Também fiquei encarregue de reservar e requisitar uma tenda no UniPol da faculdade (que aluga todo o material de desporto e campismo possível e imaginário por preços super acessíveis) e tratei disso quando fui ao ginásio (surpreendentemente consegui de certa forma recuperar o hábito de ir ao ginásio rapidamente).

Ainda antes de jantar, fomos as cinco, eu e as minhas companheiras de viagem, ao supermercado abastecermo-nos para o fim-de-semana.

Por ser véspera de viagem (para nós as cinco mas também para quase todos os nossos amigos internacionais do complexo) e porque os nossos planos eram ambiciosos ninguém foi sair ou beber, deitámo-nos todos cedo para madrugar no dia seguinte.

29 de Fev a 3 de Mar

domingo, 13 de março de 2016

Fim-de-semana #1 - Dunedin


O meu primeiro fim-de-semana (completo) na Nova Zelândia, foi bastante relaxado e espontâneo.

Depois de uma semana épica a terminar com um pôr-do-sol incrível, foi tempo de festejar uma última vez antes de começarmos as aulas, mas também de recuperar dos excessos da semana anterior e aproveitar para conhecer a cidade.


Passei a tarde de sábado toda fora de casa a vaguear pelas ruas com duas amigas do complexo, a Evie (UK) e a Caroline (EUA).

Em caminho para o centro da cidade, passámos por uma farmácia a oferecer granizado e não recusámos. Parece que por aqui há sempre algo gratuito para visitar, participar ou receber.


Começámos por visitar o centro comercial, que eu já tinha espreitado durante a semana, para fazer compras para nossa casa, que nos foi entregue um pouco despida.

Almoçámos por lá. Eu mantive-me fiel ao Subway e a Evie acompanhou-me. A Caroline que é vegetariana achou melhor prevenir e por isso já tinha almoçado por casa.

Satisfeitas, encaminhámo-nos para o Octagon que é a rotunda/praça central e principal de Dunedin. Também já lá tinha passado, mas desta vez a rua que atravessa o "octógono" estava fechada para um pequeno campeonato regional de basquetebol 3x3.





É também por aqui que se encontra o teatro mais conhecido da cidade (Regent), o cinema e alguns bares e discotecas (que eu ainda não tive oportunidade de visitar).


Seguimos para o Queens Garden e passámos pela estação de comboio que segue o estilo dos edifícios mais antigos da faculdade. Mesmo ao lado há um museu e um jardim chinês que estão na minha lista de passeios para realizar brevemente.

Queens Garden

Queens Garden

Entrada do jardim chinês
Estação de comboios
De regresso ao centro passámos pela primeira igreja de Otago. 



Fizemos a minha enésima visita ao supermercado (juro que há sempre coisas que ficam por comprar) e voltámos para casa.

No caminho fiz algumas paragens. As ruas da cidade estão cheias de pinturas e graffitis que eu não consigo evitar fotografar. Descobri recentemente que existe mesmo uma rota com cerca de 25 murais espalhados pela cidade, que eu deverei realizar muito em breve.

Este nem é dos mais giros...
Noite de sábado aqui é sinónimo de beber e sair de casa.

Na deste fim-de-semana, eu e os meus amigos do complexo fomos para outro complexo no final da nossa rua (com o triplo do tamanho do nosso, muito mais moderno e com aparência mais recente) onde acontecia um concerto e uma after party.

Mesmo ao fim de uma semana em que fui/soube a/de várias festas não consegui deixar de ficar impressionada pela proporção que estas tomam. Toda a gente abre os seus flats e as pessoas circulam pelo jardim mas também pelo interior das casas. Desde que percebi a dinâmica que deixo sempre a porta do meu quarto trancada, ainda que, e já tendo andado muitas vezes na rua à noite (sozinha e acompanhada), nunca me tenha sentido em perigo, não gosto de deixar os meus pertences abandonados à sua sorte.

As pessoas podem perder um pouco a cabeça com o consumo de álcool mas é impressionante como nunca deixam de se preocupar em reciclar e ser socialmente responsáveis. As ruas estão sempre limpas!

A calma do dia de domingo contrastou com a azáfama da noite anterior. Em nossa casa foi dia de limpezas e de tratar da roupa suja. Eu já acumulava toda a roupa de verão que usei na Austrália e uma semana de Nova Zelândia por isso pus mãos à obra.

A minha falta de experiência nas lides domésticas ficou clara quando confundi a máquina de secar com a de lavar. (Para minha própria defesa, a máquina de secar de cá tem o tambor redondo como a minha máquina de lavar em casa e a de lavar é como se vê em filmes/séries americanos/as com tampa em cima).

A de cima é a de secar e a de baixo a de lavar.
Descobrir onde pôr o detergente também foi interessante...

Durante a tarde voltei a ir ao supermercado, mas desta vez só para acompanhar a Caroline que ia fazer compras maiores. Em vez de ir ao supermercado central a que estava acostumada fomos ao que fica na direção oposta, mais à saída da cidade. O caminho para o mesmo, feito pelo Jardim Botânico, além de mais rápido é muito mais pitoresco e agradável.



Ao final da tarde aventurei-me pela primeira vez numa ida ao ginásio (que é gratuito para estudantes da universidade) e fica no estádio da equipa de rugby local, os Highlanders.

Campo que fica em caminho do ginásio e onde decorreram as atividades do Sports Day


Entrada do ginásio/centro recreativo a que eles chamam Unipol
Como odeio salas de musculação e/ou cardio fui a uma aula de grupo (Pump) na esperança de encontrar um ambiente parecido com as que frequentava em casa.

As saudades que me deram da Quinta da Marinha... A aula estava pelas costuras! Não me dei ao trabalho de contar mas apostava em cerca de 50 raparigas a fazer agastamentos e a levantar pesos.
Um ponto positivo foi definitivamente a intensidade. Além de todas levantarem cargas muito superiores às que estava habituada em casa, o ritmo também me pareceu mais acelerado (mas eu não via um ginásio há 3 semanas por isso a percepção pode ter sido algo deturpada pela minha fraca condição física).


No final decidi investir no estilo de vida saudável e inscrevi-me para o programa das aulas de grupo por 65NZD(=42,25€) pelo semestre inteiro.

Voltei a casa, morta de cansaço e pronta para uma longa noite de sono antes do meu primeiro dia de aulas. Mesmo assim, não consegui deixar de estranhar o silêncio que invadiu as ruas e senti falta da música alta e da confusão das noites anteriores.



26, 27 e 28 de Fev

quarta-feira, 2 de março de 2016

ORIENTATION WEEK

Academic Orientation Week comprises of a wide variety of academic events to assist students settling into university life.


Apesar do nome, não sei se me pude considerar orientada no final da semana. Mas foi incrível e passou a correr.

Não quero (nem vou estar a) fazer uma descrição exaustiva do meu dia-a-dia durante este período de tempo, como fiz para a viagem pela Austrália ou para a minha chegada aqui. Vou só tentar cobrir os eventos mais importantes e marcantes.

Foi uma semana agitada, divertida e diferente. Houve festa mas também houve assuntos sérios a tratar. E eu tentei encontrar um equilíbrio entre os dois. (In)felizmente nunca fui uma pessoa com muito equilíbrio (literalmente falando).

Festas aconteceram todas as noites, um pouco por todo o lado. Não fui a todas, nem pouco mais ou menos. Fui às que quis, consegui e me apeteceu.

Para minha sorte e não muito por coincidência (porque na verdade eu já tinha enviado um e-mail para o escritório dos Uni Flats), o meu flat não se limita a ser uma casa num terreno; na verdade, faz parte de um complexo de 7 flats dispostos de forma não muito organizada de tal maneira que acaba por criar um pequeno pátio entre eles. Foi aqui que criámos a nossa própria comunidade e "pequena" família.


Ao todo somos 37, de onde 7 são kiwi hosts, e dos restantes a maioria é norte-americana. Ainda assim conseguimos ser 7 oriundos da Europa (Portugal, Inglaterra, Irlanda, Noruega, França e República Checa) e ainda ter uma rapariga do Taiwan.

Mantivémo-nos juntos tanto quanto nos foi possível nas atividades a que aderimos. Inclusive adotar amigos de estimação.

Este é um visitante regular
Este apanhou-me de surpresa na nossa sala
No primeiro dia fui mais independente e autónoma e tratei da minha situação financeira.

Não sei se já alguma vez, por auto-recriação experimentaram procurar dólares neozelandeses em Portugal mas estes são praticamente inexistentes. Por isso todo o dinheiro que trazia nos bolsos até chegar ao aeroporto de Christchurch eram euros (consegui acabar com a minha liquidez australiana) e eu optei por trocar muito poucos nessa altura porque queria abrir a minha conta cá e não sabia qual era o mínimo suficiente.

Por esse mesmo motivo, a minha primeira paragem foi o banco, ANZ. Mesmo coladinho à universidade e com o próprio nome da mesma, não encontrei motivos para me aventurar noutro banco qualquer. Ao fim de uma hora tinha aberto a minha conta e tinha um cartão provisório pronto a ser usado em qualquer máquina multibanco ou terminal EFTPOS (como eles chamam aqui).

Muito mais folgada financeiramente, fui despachar o meu check-in como estudante internacional e inscrevi-me numa visita guiada pelo campus. Esta última decisão revelou-se uma perda de tempo porque o campus era gigante e continuei sem saber metade dos nomes dos edifícios onde vou ter aulas.

Food court onde estava montada a recepção para o check-in de estudantes internacionais
Welcome Pack da Universidade (uma série de formulários e uma caneta, nada de outro mundo...)
Ponto alto da visita guiada: a minha faculdade é a que tem melhor vista para o Otago Harbour e para o estádio da equipa de rugby local, os Highlanders
Nessa noite, não houve festa. Os nossos kiwi hosts do complexo pegaram nos seus carros e levaram-nos até ao ponto mais alto da cidade para podermos ver Dunedin noutra perspectiva.

Para minha grande alegria, que adoro fotografias, um dos meus colegas de casa é aspirante a fotógrafo e tirou uma chapa que bate qualquer uma das que tenho no iPhone, por isso podem apreciar esta e outras fotografias das viagens dele pela Nova Zelândia, aqui:



No dia seguinte, terça-feira, não se fez grande coisa de manhã. À tarde era o dia do Sports Day e eu tinha-me inscrito para jogar voleibol. Por volta das 13h reunimos a parte da família do complexo que estava interessada e partimos para o campo.

Não estava nada à espera do cenário com que me deparei quando lá cheguei. Aos poucos iam chegando vários grupos de pessoas provenientes de vários colleges (que é o nome que dão aos dormitórios universitários de cá), todos vestidos com a sua cor e a entoar os seus gritos. Havia uns com gaitas de foles e tudo. Parecia um cenário de um filme americano. Só mesmo de um filme, porque eu perguntei aos meus amigos se aquilo também acontecia nas universidades americanas deles e eles disseram que nunca naquela dimensão, pompa e circunstância.

O campo, que fica a 10 minutos a pé do meu flat, tem uma envolvente de colinas mesmo gira. Não levei o telemóvel porque achava que ia jogar e por isso fiquei sem fotografias, mas o que não faltavam eram câmeras fotográficas e de filmar a cobrir o evento. Desisti da ideia de jogar muito rápido. Estava um sol abrasador e como eram tantas equipas, tínhamos de esperar meia hora para jogar jogos de 3 minutos.

(Ainda não encontrei vídeos mas há fotografias que mostram a intensidade do evento:)


Photo credit: REFRAMED.MEDIA
Posted by University of Otago on Wednesday, February 24, 2016


Photo credit: REFRAMED.MEDIA
Posted by University of Otago on Wednesday, February 24, 2016


Photo credit: REFRAMED.MEDIA
Posted by University of Otago on Wednesday, February 24, 2016

Acompanhei os meus amigos ao churrasco gratuito que acontecia nas laterais do relvado e depois seguimos de volta para o complexo. O tempo estava tão agradável e quente que aproveitámos para apanhar sol no nosso pequeno relvado.

Para jantar decidimos aproveitar uma promoção de leve 2 pague 1 para comer uns hambúrgueres de borrego muito famosos na Nova Zelândia, Velvet Burgers. São TÃO BONS e GIGANTES. Comi que nem uma rainha por 8,8NZD (=5,32€).




Quanto ao resto da semana... Como sou um ratinho das aplicações e dos manuais de instruções, comecei a semana com todo um plano super definido das palestras e sessões em que participaria na aplicação da orientation week que a universidade tinha preparado. Eu sou óptima a planear, juro que sou. Não tenho muito jeito é para seguir planos. Mas depois pus-me a pensar e quem é que precisa de ir a palestras com o nome "Success at University"?

Quarta-feira de manhã
Até para a sessão de boas-vindas para estudantes internacionais me arrastei a muito custo. Pareceram as duas horas mais longas da minha vida. E para melhorar a situação, a sessão teve início com um senhor muito estiloso de fato com gravata e meias com um padrão galáctico que iniciou o seu discurso com um monólogo em Maori. Não estou a exagerar quando digo que estive um minuto e meio a tentar perceber se era inglês e eu é que era burra e não percebia. O senhor fazia pausas constantemente e sempre que eu achava que ele tinha terminado e ia começar a falar inglês, ele continuava perante uma plateia super confusa e algo desinteressada.


Eventualmente, e depois de mandar mil frases do género "He aha te kai ō te rangatira? He Kōrero, he kōrero, he kōrero." (na realidade não faço ideia do que ele dizia, mas imagino que fossem coisas muito inspiradoras por isso fui tirar esta ao google cuja tradução é: What is the food of the leader. It is knowledge. It is communication.), lá passou para o inglês e nos deu as boas-vindas.

A sessão foi bastante informativa: o que (não) fazer quando se viaja pela Nova Zelândia (porque no ano passado um estudante internacional morreu a tentar atravessar um rio), números de emergência, a percentagem do staff da faculdade que não é neozelandesa (70%, ou seja, estou numa universidade muito internacional), ser proibido queimar sofás (é uma tradição dos estudantes cá que já aconteceu na rua do Leo; os alunos responsáveis são expulsos da faculdade), não consumir drogas...

Depois fomos encaminhados para o estádio dos Highlanders, equipa local de rugby, onde fica também o ginásio gratuito da minha faculdade. Havia uma exposição com vários serviços da faculdade e da cidade e mais uma vez almoço gratuito que eu ignorei por completo.

Regressei ao complexo para me juntar aos meus amigos e ir para a feira de clubes que decorria no edifício principal.



Sou capaz de me ter excedido um pouco na quantidade de clubes e sociedades em que me inscrevi. Quando dei por mim, estava a assinar uma petição para a universidade cessar a utilização de combustíveis fósseis. No final da tarde estava inscrita no Otago Students Boardriders (Surf Club), na fundação Ronald McDonald's, numa aula de Capoeira, numa aula de yoga e meditação e no Comp Girls Otago (que é basicamente um grupo de raparigas que se reune todas as terças para comer pizza e falar de tecnologia). Ainda levei para casa brochuras de vários cursos que a OUSA (associação de estudantes cá do sítio) tem para oferecer, entre eles Ukulele para Iniciados, Japonês para Iniciados e Fotografia Digital para Iniciados também.

Surpreendentemente, ou não, consegui não me inscrever no clube mais famoso da faculdade, o Tramping Club. Basicamente o que organiza excursões, caminhadas, acampamentos e todas essas coisas tão neozelandesas. Não tinha student ID, culpa do International Office que não introduziu o meu visto corretamente no sistema, e por isso não conseguiria de qualquer forma. O que vale é que eles aqui gravam e fotografam tudo:


Clubs Day - Ori 2016
OUSA Clubs Day is happening right now in the Link of the ISB. You've got until 4pm this afternoon to check out all of the exciting diverse clubs and societies on campus, so head over and get amongst!
Posted by OUSA - Otago University Students' Association on Tuesday, February 23, 2016


Eu e a minha mania de aderir e assinar tudo valeram-me 5 minutos ao telefone com um coordenador de uma igreja porque tinha preenchido um inquérito só para receber um (ou talvez dois) donuts.


Quando cheguei ao complexo, a Jordan e a Caitlin estavam a comentar que com o calor que estava o ideal era ir à praia. Em menos de 5 minutos vestimos os nossos bikinis e fizemos-nos às estrada rumo a Macandrew Bay, uma praia mesmo pequenina mas deserta ainda no interior da península de Otago.



O tempo estava mesmo agradável e o sol abrasador. Fiquei a saber que os kiwis sofrem muito de doenças de pele porque existe um grande buraco na camada de ozono exatamente por cima da Nova Zelândia. Apesar disso, a água estava insuportavelmente fria. Os mergulhos no Guincho ficaram a parecer uma brincadeira ao lado dos mergulhos nas águas por aqui. E por isso, tinha a água pelos joelhos quando desisti.

Quinta-feira era o último dia para ir a todas sessões informativas. Eu só queria ter ido à do IT para aprender a usar o meu e-mail e os sistemas de impressão da faculdade mas como continuava sem student ID, não fui capaz. Foi o dia em que pela primeira vez me dediquei à cozinha e fiz um prato (básico mas) decente. Especialidade da minha mãe: strogonoff de frango. E desde aí que tenho optado por comer em casa, porque além de mais saudável (na primeira semana os meus colegas de complexo comeram imenso fast food) e económico, já estava a morrer de saudades de sabores familiares e de ARROZ. (A Caitlin fica sempre espantada com a quantidade de arroz que como).

Sexta-feira fiquei a maior parte da manhã em casa na ronha. A falar para Portugal para me pôr a par de novidades. À tarde consegui finalmente o meu student ID, mas se calhar não devia ter conseguido.

Lição: nunca fazer o cartão de ressaca e depois de tomar banho sem secar o cabelo
Aproveitei e comprei cadernos e o material escolar que me fazia falta numa das lojas da universidade. Sim, porque a universidade tem só no edifício principal, fora todos os outros, um mini supermercado, um café, uma loja de sanduíches (muito parecida à cadeia Subway e onde eu já devo ter almoçado três vezes) e uma loja de material escolar (que ao contrário do que seria de esperar é muito mais em conta que qualquer papelaria/supermercado fora da universidade).

Durante a tarde quis ir explorar a cidade com liberdade e por isso fui sozinha. Aproveitei e entrei no único centro comercial de maiores dimensões de cá para explorar um pouco. Comprei uma lembrança para o aniversário da minha kiwi host e fui ao supermercado pela enésima vez desde que cheguei, porque parece que me esqueço sempre de comprar qualquer coisa.

E assim de repente estava terminada a minha orientation week. No final parecia que já estava aqui há um mês ou dois, e o meu quarto e o meu flat já me sabem muito à minha segunda casa.

Sinto imensa falta de ter a família e os meus amigos por perto. A diferença dos fusos horários faz com que os dias, especialmente as tardes, custem um pouco a passar pois não há notícias de casa. Mas não me posso queixar porque sou uma sortuda que tem sempre pessoas com quem falar de manhã e à noite. (Os meus colegas do complexo acham incrível, e estranho, porque não falam para casa um terço do que eu falo e têm fusos horários, ainda que maiores, muito mais compatíveis).

22 a 26 de Fev 2016